Um novo relatório divulgado pelo The Wall Street Journal traça um cenário que, embora indesejado pelos consumidores, parece cada vez mais inevitável: o preço do iPhone 17 vai subir. Fontes próximas da cadeia de abastecimento da gigante de Cupertino indicam que o agravamento dos custos de produção ditará esta atualização na tabela de preços. No entanto, a tecnológica norte-americana encontra-se num dilema delicado sobre como comunicar esta alteração ao mercado, procurando, a todo o custo, evitar justificações de cariz político.
Embora o “elefante na sala” sejam as tarifas decretadas por Donald Trump sobre as importações oriundas da China, a Apple não pretende atribuir publicamente a culpa a estas taxas aduaneiras. A estratégia da empresa passa, invariavelmente, por focar a atenção nas características do produto, utilizando as inovações técnicas como o único motivo válido para o cliente pagar mais.
O trunfo da durabilidade e o novo “Ceramic Shield 2”
É neste contexto de justificação pelo valor acrescentado que a Apple começou já a preparar o terreno. Segundo o jornal norte-americano, a empresa negociou intensamente com os seus parceiros para conter despesas, mas para salvaguardar as margens de lucro, o aumento do preço final é o caminho traçado. Para desviar as atenções das tarifas que assombram a economia global, a Apple irá culpar — ou melhor, creditar — o novo design e as novas funcionalidades.
A prova viva desta estratégia reside na mais recente campanha publicitária da marca. Num anúncio intitulado “Slide”, partilhado hoje, a empresa destaca o vidro de cobertura Ceramic Shield 2, que equipará o iPhone 17, o iPhone 17 Pro e o Pro Max. O vídeo ilustra uma negociação tensa, onde um iPhone 17 Pro é deslizado repetidamente, com o ecrã virado para baixo, ao longo de uma mesa extensa.
A mensagem é clara: o novo material oferece uma resistência aos riscos três vezes superior à da gama iPhone 16, sendo apresentado como mais robusto do que qualquer outro vidro de smartphone ou mistura vitrocerâmica no mercado. Com o mote “Relax, it’s iPhone 17”, a Apple reforça a ideia de que a durabilidade e a excelência do hardware são as verdadeiras razões por detrás do valor do equipamento, camuflando assim o impacto das taxas de importação.
O desafio logístico: Índia como alternativa, China como necessidade
Paralelamente à questão do preço, a Apple continua a enfrentar o desafio da sua dependência fabril. Devido aos constantes contratempos e à instabilidade gerada pelas tarifas sobre produtos chineses, a empresa está mais empenhada do que nunca em diversificar a sua produção. Dado que uma mudança total para os Estados Unidos demoraria anos a concretizar, a Índia perfila-se como o destino preferencial para esta deslocalização.
Contudo, o processo de transição, embora acelerado, esbarra na realidade técnica. O relatório do The Wall Street Journal sublinha que a Índia ainda não possui as infraestruturas nem o conhecimento tecnológico suficiente para assegurar a produção em massa dos modelos mais complexos.
Isto indicia uma provável cisão na origem dos dispositivos: enquanto os modelos base poderão começar a ser fabricados em solo indiano, os iPhone 17 Pro e iPhone 17 Pro Max continuarão a ser produzidos na China. Desta forma, a Apple tenta equilibrar a balança geopolítica sem comprometer a qualidade de fabrico dos seus topos de gama, mesmo que isso implique custos acrescidos que, no final do dia, serão suportados pelo consumidor.