O mercado dos dispositivos móveis atravessa um período de forte reajuste financeiro ditado pela conjuntura económica e por mudanças profundas na produção global. A escassez contínua de memória RAM, impulsionada sobretudo pela febre dos investimentos em Inteligência Artificial, está a obrigar as grandes fabricantes a reverem as suas estratégias. A Samsung, depois de ter estreado a recente gama Galaxy S26 com um agravamento de preço assinalável face à geração anterior, prepara-se agora para inflacionar o custo de outros equipamentos do seu portefólio.
O impacto nas novas gerações
Informações recentes dão conta de que dispositivos como o Galaxy Z Fold 7, o Galaxy Z Flip 7 e o peculiar Galaxy S25 Edge vão ficar mais caros, começando pelo mercado sul-coreano. As versões com 512 GB de armazenamento deverão sofrer um aumento na ordem dos 100.000 won, enquanto os modelos de 1 TB podem encarecer o dobro desse valor. Embora falte a confirmação de que estas alterações vão afetar o resto do mundo, a história recente mostra que esse é o caminho mais provável. O próprio aumento de custos da linha S26 começou como um rumor restrito ao país de origem da marca antes de se globalizar. Atualmente, o modelo base do S26 apresenta um valor inicial superior ao do equivalente Galaxy S25 de 256 GB na altura do seu lançamento. Esta inflação estende-se também à gama média, onde o Galaxy A57 sofreu um ligeiro agravamento, deixando o Galaxy A37 como uma das raras exceções a manter o preço intacto.
Uma crise transversal à indústria
O cenário de encarecimento está longe de ser um problema exclusivo da empresa sul-coreana. Trata-se de um reflexo direto da atual crise do custo de vida que afeta múltiplos setores da eletrónica de consumo. A Sony, a título de exemplo, anunciou recentemente mais uma subida de preço para a PlayStation 5, uma medida que aplicou repetidas vezes desde o lançamento da consola em 2020. Fabricantes de telemóveis como a Oppo e a OnePlus também já tinham sinalizado a necessidade de aumentar os valores praticados. Para tentarem combater os altos custos de produção sem afugentar os consumidores, algumas marcas começam a reaproveitar tecnologia. O Google Pixel 10a surge no mercado de 2026 com o mesmo preço do antecessor porque optou por manter o mesmíssimo processador Tensor G4, introduzindo alterações marginais. A Apple seguiu uma tática idêntica com o novo MacBook Neo, reciclando o processador A18 Pro do iPhone, cuja produção é mais económica, permitindo assim oferecer o portátil a um preço mais atrativo numa altura em que o custo-benefício é rei.
A referência do modelo anterior
Tendo em conta esta escalada de preços generalizada, a avaliação do mercado passa obrigatoriamente por olhar para aquilo que as gerações transatas ofereceram aos consumidores. O Galaxy S25 Ultra, lançado em 2025 com um preço base de 1499 euros, estabeleceu um padrão elevado de qualidade sem precisar de reinventar a roda. A fabricante pegou num conceito com provas dadas e aplicou melhorias incrementais focadas na Inteligência Artificial e no aprimoramento do software. O suporte garantido de sete anos de atualizações conferiu ao equipamento uma longevidade que agora ganha especial relevância perante a dificuldade em adquirir topos de gama mais recentes.
A evolução do design e da construção
A experiência de abertura da caixa do S25 Ultra reflete as diretrizes minimalistas e ecológicas dos últimos anos, dispensando o carregador e limitando os acessórios ao cabo USB-C e à ferramenta de extração do cartão SIM. A grande diferença do aparelho fez-se notar na adoção de um chassis exterior reformulado. A lateral plana aliou-se a cantos arredondados, substituindo as esquinas afiadas que caracterizavam os modelos antigos da linha Ultra. O que inicialmente parecia levantar dúvidas sobre a ergonomia provou ser um sucesso, resultando num telemóvel surpreendentemente confortável. O conforto foi bastante auxiliado pela dieta rigorosa a que o dispositivo foi sujeito, passando das pesadas 232 gramas para umas mais toleráveis 218 gramas, com a espessura a emagrecer de 8,6 para 8,2 milímetros.
Os materiais utilizados acompanharam o posicionamento do preço. A frente e a traseira estão protegidas pelo robusto vidro Gorilla Glass Victus, unidas por uma moldura em titânio de grau 5 que transmite imediatamente a sensação de solidez exigida a um equipamento deste valor. O aparelho possui a tradicional certificação IP68 contra água e poeiras, garantindo submersão até um metro e meio durante trinta minutos, embora fique atrás de algumas marcas rivais que já começaram a integrar a norma superior IP69.
Desempenho de topo e os seus compromissos
A experiência de utilização do S25 Ultra mantém-se inegavelmente fluida, ancorada num ecrã vibrante com níveis mínimos de reflexo e num desempenho geral irrepreensível. As câmaras continuam a dominar o mercado móvel e a autonomia da bateria não desilude, sendo todo o ecossistema fortemente suportado pelas novas ferramentas de inteligência artificial. Nem tudo, contudo, são vantagens. A velocidade de carregamento da bateria teima em ficar vários furos abaixo daquilo que as fabricantes concorrentes conseguem oferecer. A popular caneta S Pen sofreu um retrocesso notável ao perder a sua conectividade Bluetooth, eliminando várias funções remotas que os utilizadores se habituaram a utilizar. No fim de contas, o preço elevado do S25 Ultra reflete o início desta transição no mercado tecnológico, servindo de barómetro perfeito para compreender a direção económica, por vezes dura, que a indústria está atualmente a tomar.