O Xiaomi 14T Pro marca a entrada definitiva desta série no restrito segmento de luxo. Lançado por cá a partir dos 899 €, este bicho chega com um conjunto de especificações de encher o olho e com novidades que a comunidade já pedia há algum tempo. Se antes a linha T era olhada de lado, quase como um parente pobre face aos topos de gama lançados no início do ano, agora o cenário mudou. A marca parece ter feito all in e o resultado é um dispositivo que não tem qualquer pudor em assumir-se como um verdadeiro peso-pesado.
Para contextualizar a experiência da última semana com o telemóvel, eis um resumo do que mais brilhou e do que ficou aquém:
Prós:
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Design sóbrio aliado a um acabamento inegavelmente premium.
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Excelente ecrã AMOLED, destacando-se pelo ótimo brilho e fluidez.
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Desempenho de topo que não engasga.
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Carregamento rápido exímio, tanto com fios como sem fios.
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Armazenamento generoso (512 GB de base e opção de 1 TB).
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Sensor principal com boa qualidade para fotografia e vídeo, bem apoiado por bons microfones.
Contras:
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A lente ultra angular ainda deixa bastante a desejar.
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A câmara frontal sofre do mal crónico de exagerar no embelezamento.
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O carregador já não vem incluído na caixa.
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Presença de bloatware desnecessário pré-instalado.
O “sweet spot” do design
A Xiaomi tem vindo a afinar a estética da linha T ano após ano, e sinto que finalmente acertaram na mouche. O aparelho transborda classe, quer o escolhas em preto, cinzento ou no tom azul metálico que andei a testar. Embora o marketing goste de atirar o termo “titânio” para o nome das cores, a verdade é que a traseira tem um acabamento em vidro e a moldura é de alumínio. O facto de ambos terem um toque fosco é um alívio, tornando o smartphone muito menos propício a colecionar dedadas.
A ergonomia também foi bem pensada. O ecrã de 6,67 polegadas e a respetiva moldura são totalmente planos, mas a traseira conta com uma ligeira curvatura que dá um tremendo jeitaço na mão. Alguém com mãos mais pequenas vai precisar de usar as duas para navegar confortavelmente, mas o manuseio geral é bastante aprazível. Junta-se a isto a certificação IP68, que te dá descanso contra água e poeiras, e um leitor de impressões digitais embutido no ecrã que se revelou sempre exímio e rápido na resposta.
O fim de uma era no unboxing e o complexo de Cupertino
Há, no entanto, uma mudança de paradigma neste modelo. A Xiaomi era das últimas guardiãs a resistir à moda de tirar os carregadores da caixa. Fazia todo o sentido mantê-lo, especialmente quando vendes um equipamento que carrega a 120 W. Mas essa benesse acabou. Ao abrir a caixa do 14T Pro, levas com o smartphone, um cabo USB-A para USB-C, a ferramenta do SIM e uma capa de silicone (que ainda vai salvando a pátria). Para tirares partido da velocidade estonteante do HyperCharge, vais ter de abrir os cordões à bolsa e comprar o tijolo à parte.
Esta cedência não se aprova, mas percebe-se de onde vem o vento. E é aqui que a experiência do 14T Pro nos obriga a olhar para o futuro da marca e para a sua eterna fixação com a Apple. Se a ausência do carregador é uma cópia de uma má prática, os zumbidos que correm sobre a futura série Xiaomi 18 chegam a ser preocupantes.
Ao que tudo indica, a marca chinesa está a preparar-se para imitar a Apple da pior maneira possível: adotando um calendário de lançamentos fragmentado. Tal como se espera que aconteça com os iPhone 18 Pro e Pro Max, há rumores de que o Xiaomi 18 Pro possa ver a luz do dia já em setembro. E o modelo base? Esse ficaria na gaveta até janeiro ou fevereiro de 2027. Como se isto não bastasse, consta que a Xiaomi quer mesmo adotar o tom Dark Cherry nos seus novos aparelhos, numa tentativa óbvia de replicar o fator de atração que cores como o Cosmic Orange tiveram nos iPhone 17.
Os riscos de um calendário fragmentado
Não é a primeira vez que vemos este filme. No ano passado, a Xiaomi simplesmente varreu o número 16 para debaixo do tapete e saltou diretamente para a série 17, apenas para alinhar a nomenclatura com Cupertino. Ninguém leva a mal que as empresas se inspirem umas nas outras, mas uma fabricante tão inovadora tem arcabouço suficiente para criar identidades e cronologias próprias. Em mercados como o asiático, os aparelhos da Apple vendem que nem pãezinhos quentes, independentemente de tarifas ou restrições geopolíticas. Para a Xiaomi competir, a regra de ouro sempre foi clara: oferecer melhor, mais barato e mais cedo.
O grande risco desta nova estratégia é a marca acabar por validar o modelo de negócio da Apple em vez de o desafiar de frente. Gostem ou odeiem a empresa de Tim Cook, eles podem dar-se ao luxo de partir lançamentos ao meio porque têm uma legião de utilizadores dispostos a esperar meses pelo modelo que querem. A Xiaomi não navega com esse vento a favor.
Quando um potencial comprador vir o Xiaomi 18 Pro nas montras em setembro, mas perceber que tem de esperar meia volta ao sol pelo modelo normal, é muito provável que perca a paciência e acabe por levar um iPhone. Lançamentos faseados funcionam quando és o dono incontestável da bola no teu segmento. A grande força da Xiaomi sempre assentou em apresentar uma linha completa, clara e sem confusões para o consumidor. Pedir emprestado o calendário da concorrência arrisca-se a colar-lhes o rótulo de meros seguidores numa indústria onde hesitar costuma custar muito caro.