A Samsung está a acelerar o passo. Pouco tempo depois de colocar a gama Galaxy S26 no mercado, a tecnológica sul-coreana abriu as portas ao futuro do seu ecossistema com o lançamento do programa beta da One UI 9. O anúncio, feito a 12 de maio de 2026, marca a estreia do Android 17 nos dispositivos da marca e promete uma vaga de melhorias focadas em inteligência artificial, acessibilidade e segurança proativa. No entanto, enquanto o software avança, o mercado de hardware dita as suas próprias regras: os utilizadores enfrentam uma nova realidade comercial onde os descontos estão mais contidos, embora os números de vendas mostrem que a estratégia da empresa está a funcionar.
O que muda com a One UI 9
Construída sobre a base do Android 17, a One UI 9 sucede à versão 8.5, que já tinha renovado a identidade visual dos aparelhos. Desta vez, o foco afasta-se de revoluções estéticas drásticas e vira-se para a otimização da experiência diária. Entre as novidades da plataforma da Google integradas pela Samsung estão as bolhas flutuantes para aplicações, um seletor de contactos mais restritivo e o Modo de Proteção Avançada.
No dia a dia, há pequenos pormenores redesenhados para melhorar a produtividade. A aplicação Samsung Notes, por exemplo, ganha fitas decorativas e novos estilos de traço para as canetas digitais. Já a app de Contactos passa a integrar diretamente o Creative Studio, permitindo criar cartões de perfil personalizados sem intermediários.
O Painel Rápido também foi substancialmente modificado. Agora, os controlos de brilho, som e reprodução multimédia podem ser ajustados de forma independente, com barras táteis mais espessas que facilitam o uso do telemóvel apenas com uma mão.
No campo da acessibilidade, a Samsung e a Google unificaram os seus leitores de ecrã num TalkBack único. A interface conta ainda com o Text Spotlight, que projeta textos selecionados numa janela flutuante ampliada, e com a possibilidade de configurar a velocidade do ponteiro para quem utiliza teclados externos.
A segurança surge como um dos pilares centrais desta atualização. O sistema operativo passa a contar com ferramentas mais severas para analisar aplicações de alto risco. Sempre que um software suspeito é detetado, a One UI 9 emite alertas, bloqueia a instalação e sugere a remoção imediata do programa, recorrendo a políticas de segurança constantemente atualizadas.
Quem recebe e quando
Por agora, a fase de testes está limitada aos proprietários dos Galaxy S26, S26+ e S26 Ultra que residam na Coreia do Sul, Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, Índia e Polónia. O registo é feito através da aplicação Samsung Members. Mercados habituais como o Canadá, a França ou o Sudeste Asiático ficaram de fora nesta primeira vaga, embora o histórico da marca aponte para um alargamento progressivo das fases beta a outras regiões e dispositivos.
O calendário de lançamentos oficiais já se deixa adivinhar:
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Julho de 2026: Espera-se a versão estável da One UI 9, coincidindo com o evento Galaxy Unpacked onde deverão ser apresentados os dobráveis Galaxy Z Fold 8 e Z Flip 8.
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Agosto e Setembro de 2026: A atualização deverá começar a chegar às gamas Galaxy S25 e Galaxy S24.
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O fim da linha: A família Galaxy S23 será a mais antiga a receber esta nova versão, fechando aqui o seu ciclo de grandes atualizações do Android. Dispositivos como o Galaxy S22 e anteriores vão fixar-se na One UI 8.5.
A economia dos chips e os descontos mais “magros”
Nem tudo são novidades de software. Quem anda atento ao preço do Galaxy S26 Ultra deparou-se recentemente com um corte de 200 dólares em todas as versões de armazenamento, colocando o modelo de entrada a uns mais apelativos 1.099,99 dólares. À partida, uma redução destas num topo de gama lançado há escassos dois meses parece um excelente negócio, mas o diabo está nos detalhes quando comparamos esta campanha com a do ano passado.
A verdade é que a crise global no mercado de memórias continua a pressionar as margens da Samsung. Se recuarmos a maio do ano passado, o Galaxy S25 Ultra recebeu um desconto direto de 230 dólares sem necessidade de retoma, acompanhado por ofertas de seguros e acessórios. No caso do S26 Ultra, o cenário mudou: o código promocional “APP5” (que dava 5% de desconto na aplicação oficial) deixou de funcionar e a oferta de três meses do serviço Samsung Care Plus desapareceu de circulação.
A desvalorização nas retomas também se faz sentir. Quem entregava um Galaxy S21 Ultra em maio de 2025 recebia 300 dólares de crédito; hoje, a entrega de um Galaxy S22 Ultra garante apenas 260 dólares. O mesmo padrão aplica-se à concorrência: um iPhone 13 Pro valia 250 dólares na campanha anterior, enquanto um iPhone 14 Pro fica-se agora pelos 214 dólares.
Esta contenção comercial reflete o aumento generalizado dos custos de produção. Analistas da IDC preveem que os preços dos componentes de memória só estabilizem no final de 2027, ao passo que a Gartner estima uma subida de até 130% nos custos combinados de DRAM e SSD até ao final de 2026. Tudo indica que as promoções agressivas a que o mercado estava habituado vão dar tréguas nos próximos tempos.
A validação da estratégia comercial
Apesar de as ofertas estarem menos generosas, os dados mais recentes mostram que a jogada da Samsung foi calculada ao milímetro. Informações recolhidas pela Counterpoint Research até meados de maio indicam que as vendas acumuladas da linha Galaxy S26 nas primeiras seis semanas ultrapassaram em 15% os números registados pela gama S25 no mesmo período do ano passado. A nível global, as vendas gerais de smartphones da empresa cresceram 5% em termos homólogos, contrastando com as dificuldades sentidas por várias marcas chinesas rivais.
Esta performance dá razão à postura de TM Roh, co-CEO da Samsung Electronics, que antes do lançamento da atual linha de flagships já avisava que nenhuma empresa estaria imune à crise dos componentes e que os aumentos de preço seriam inevitáveis. A marca optou por congelar o preço base do Galaxy S26 Ultra, descarregando a pressão inflacionária nos modelos base, Plus, na gama média (Série A) e no Galaxy Z Fold 7, além de ter encolhido as campanhas promocionais.
O mercado europeu acabou por ser o grande motor deste crescimento. Sem inflação no preço de tabela face ao modelo anterior e beneficiando da introdução do ecrã com tecnologia Privacy Display, o Galaxy S26 Ultra garantiu a maior quota de sempre da variante Ultra dentro do portefólio da linha S na Europa.
Ainda assim, o panorama não é perfeito em todas as geografias. A recetividade foi consideravelmente mais fria na China e no Japão, onde a forte concorrência local e a sensibilidade dos consumidores ao preço travaram o ritmo de vendas. Registou-se também uma ligeira quebra no volume de vendas global logo após a sexta semana, deixando uma interrogação no ar sobre se este fôlego comercial se irá manter nos próximos meses, especialmente num contexto macroeconómico global que continua volátil.