Quando a Apple oficializou a linha do iPhone 16, a 9 de setembro de 2024, no evento “It’s Glowtime”, muitos consumidores respiraram de alívio perante as etiquetas. Os temidos aumentos não se concretizaram. Em Portugal, a tabela fixou-se nos 989 € para o modelo base, 1139 € para o Plus, 1249 € para o Pro e 1499 € para o cobiçado Pro Max, deitando por terra a especulação de que a barreira dos 1500 euros seria facilmente ultrapassada. Olhando para trás, a mudança na estrutura básica daquele telemóvel foi o primeiro grande sinal da transformação que a marca de Cupertino estava a orquestrar.
O regresso ao layout vertical da câmara dupla nos modelos de entrada não foi um mero capricho estético para evocar a nostalgia do iPhone X ou do iPhone 12. Tratou-se de uma exigência puramente técnica para viabilizar a gravação de vídeo espacial do Apple Vision Pro. Em paralelo com os novos botões táteis e o falado botão de captura, os topos de gama da série 16 ditaram uma expansão física: os ecrãs deram um salto de 6,1 para 6,3 polegadas no Pro e de 6,7 para 6,9 polegadas no Pro Max. O aumento inevitável nas dimensões e no peso do chassi acabou por ser compensado por uma gestão energética notável, alavancada pela tecnologia de microlentes nos painéis OLED. Foi uma geração sólida, mas serviu sobretudo como terreno de ensaio.
Com a remodelação profunda trazida posteriormente pelo iPhone 17 Pro, a gigante tecnológica deu finalmente o pontapé de saída para um plano mestre a três anos, estipulando um roteiro agressivo para o iPhone 18 e o iPhone 20 Pro, com a série 19 a ficar propositadamente fora da equação. O sucesso estrondoso da série 17 provou que a estratégia estava certa; afinal, os números mostram que é a linha mais popular da história da empresa. Entregar modelos Pro redesenhados e um modelo base com uma relação qualidade-preço imbatível fez maravilhas junto do público. A receção validou a aposta, mas colocou a fasquia num ponto de ebulição perigoso para o que vem a seguir.
E é precisamente aqui que o futuro iPhone 18 Pro ameaça descarrilar. O guião não previa para esta geração uma revolução visual na traseira semelhante à do 17, mas sim uma evolução invisível e arrojada: atirar os sensores do Face ID para debaixo do ecrã e reduzir a Dynamic Island a um detalhe marginal. A ideia é espetacular na teoria, só que os testes em laboratório estão a dar sérias dores de cabeça.
As informações que circulam indicam que a performance do Face ID embutido no ecrã tem sido desastrosa e pouco fluida. Para uma empresa que faz questão de ostentar a biometria facial mais rápida e incisiva do mercado — uma proeza que a esmagadora maioria do ecossistema Android simplesmente não consegue replicar à mesma velocidade —, lançar uma funcionalidade com estes soluços é inadmissível. Se a engenharia da Apple não resolver este estrangulamento a tempo, o iPhone 18 Pro corre o sério risco de cair na valeta da mediocridade.
Neste patamar do campeonato, quem compra espera grandeza. Apresentar um 18 Pro que se resuma a um chip ligeiramente mais rápido e a uma paleta de novas cores para disfarçar a falta de inovação seria um banho de água fria monumental. A pressão agrava-se quando sabemos que as atenções mediáticas desse ano já vão estar bastante diluídas com a chegada do aguardado iPhone Ultra dobrável. O 18 Pro não pode simplesmente ficar a marcar passo num ano de transição. Terá de justificar o seu peso para não asfixiar o entusiasmo pela futura série 20 Pro, que promete, com alguma sorte, trazer a verdadeira rutura tecnológica pela qual muitos de nós aguardamos há mais de uma década.