A caminhada imaculada da seleção espanhola
A seleção espanhola está praticamente com os dois pés na fase final do Campeonato do Mundo de 2026, torneio que terá lugar nos Estados Unidos, Canadá e México. A expressiva goleada por 4-0 imposta à Geórgia, na sempre difícil deslocação a Tiblissi, deixou a equipa comandada por Luis de la Fuente numa posição de enorme conforto na liderança do Grupo E. Privados do talento de Lamine Yamal, que acabou por ser resguardado pelo selecionador na sequência de um tratamento médico realizado no início da semana, os espanhóis não sentiram qualquer dificuldade e encarrilaram a partida logo nos instantes iniciais.
À passagem do minuto 11, Mikel Oyarzabal chamou a si a responsabilidade e abriu o ativo na conversão de uma grande penalidade. O domínio absoluto evidenciou-se de forma avassaladora nos momentos seguintes, com Martin Zubimendi e Ferran Torres a dilatarem a vantagem para três golos ainda antes de cumpridos os primeiros 35 minutos de jogo. Já na etapa complementar, Oyarzabal voltou a fazer o gosto ao pé, selando em definitivo o resultado. A campeã mundial de 2010 soma agora 15 pontos em outros tantos possíveis e partilha com Inglaterra e Suíça um registo impressionante na qualificação europeia: zero golos sofridos. Mesmo perante a eventualidade de uma derrota no próximo embate frente à Turquia, em Sevilha, a Espanha detém uma vantagem massiva na diferença de golos, garantindo virtualmente a passagem.
A corrida contra o tempo do médio Gavi
A perspetiva de garantir matematicamente o passaporte para o Mundial traz à tona o planeamento detalhado do plantel espanhol, onde a figura de Gavi ganha especial destaque. O médio do Barcelona encontra-se atualmente a atravessar a etapa mais crítica e determinante da sua reabilitação física, mantendo o foco absoluto em marcar presença no próximo torneio internacional. O jovem de 21 anos conviveu com longos meses de frustração longe dos relvados, consequência direta da intervenção cirúrgica ao menisco do joelho direito a que foi submetido a 23 de setembro.
Volvidos cerca de cinco meses de ausência dos grandes palcos, o jogador regressou finalmente aos treinos integrados com o plantel principal, dando passos muito calculados rumo à plena aptidão. O emblema catalão tem adotado uma postura de máxima precaução em todo o processo. O departamento médico e a equipa técnica trabalham em estreita sintonia para vigiar de perto cada movimento do atleta, ajustando a carga de trabalho de modo a garantir uma recuperação sem sobressaltos. A presente pausa para os compromissos das seleções acaba por jogar a seu favor, proporcionando-lhe várias semanas de treino ininterrupto sem a pressão asfixiante do calendário competitivo de clubes. O grande objetivo a curto prazo passa por recuperar a confiança e voltar a sentir-se uma peça útil na equipa antes do fecho da temporada.
Do lado da federação, Luis de la Fuente tem acompanhado este processo com enorme atenção. O selecionador faz questão de manter um contacto regular com o médio, ciente dos riscos inerentes a uma lesão desta natureza, mas perfeitamente consciente da enorme mais-valia que o seu talento representa. Embora a luta por um lugar no meio-campo espanhol seja notoriamente feroz, o treinador nunca escondeu a sua enorme admiração pelo jogador e deixa claro que a porta da seleção se mantém aberta caso o atleta do Barcelona recupere o ritmo e a intensidade exigidos a tempo da convocatória.
O panorama europeu e as contas nos restantes grupos
Enquanto a Espanha respira tranquilidade, noutras paragens da geografia europeia a luta pelos pontos cruciais do apuramento continua bastante acesa. A Turquia, perseguidora direta dos espanhóis, conseguiu bater a Bulgária por 2-0 num embate realizado na cidade de Bursa. O médio Hasan Çalhanoglu colocou a equipa de Vincenzo Montella na frente através de um penálti aos 18 minutos. Já na reta final da partida, Atanas Chernev, defesa do Estrela da Amadora que alinhou de início pelos búlgaros, introduziu a bola na própria baliza e desfez quaisquer dúvidas. Curiosamente, o portista Deniz Gul não chegou a ser utilizado e viu o encontro a partir do banco de suplentes.
No Grupo H, a Áustria assumiu as despesas do jogo e ditou a sua lei no Chipre com um triunfo seguro, também por 2-0. Marko Arnautovic foi a figura central do duelo ao bisar, faturando primeiro de grande penalidade aos 18 minutos e confirmando o domínio no arranque do segundo tempo. A seleção austríaca, que deixou o médio Florian Grillitsch, do Sporting de Braga, a aquecer o banco durante os 90 minutos, soma agora 18 pontos e aguarda apenas por um deslize da Bósnia-Herzegovina frente à Roménia para celebrar a qualificação antecipada.
Menos sorridente esteve a Bélgica no Grupo J. Os belgas deslocaram-se ao Cazaquistão com o claro intuito de selar o triunfo na respetiva ‘poule’, mas escorregaram num empate a uma bola. Os anfitriões adiantaram-se cedo no marcador por intermédio de Stapaev aos nove minutos, obrigando a equipa visitante a correr atrás do prejuízo. O golo do empate surgiria logo após o regresso dos balneários através de Vanaken. O jogo ficou ainda marcado pela expulsão do cazaque Chesnokov perto do fim, ainda que a Bélgica, contando com o benfiquista Lukebakio entre os suplentes, não tenha conseguido capitalizar essa vantagem numérica. No outro encontro do agrupamento, um único remate certeiro de Jordan James foi o suficiente para o País de Gales ultrapassar a frágil formação do Liechtenstein, mantendo a formação britânica na intensa perseguição aos lugares de topo, em igualdade pontual com a Macedónia do Norte.